IBGE realiza um importante estudo sobre a origem geográfica dos nomes no Brasil

A cidade de Paraty, município do Rio de Janeiro, passou por um grande questionamento e debate entre os estudiosos há doze anos sobre o nome da cidade. Na época, era discutido se o nome deveria ser escrito com “i” ou com “y”. Esse questionamento teve início assim que as novas regras ortográficas instituídas para os países de língua portuguesa entraram em vigor. Em 2007, o poder municipal da cidade votou e decidiu que o nome mantivesse o “y” independente das novas regras.

Devido a isso e outros fatores, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) realizou um estudo intitulado como Nomes Geográficos com o objetivo de buscar as verdadeiras origens que os nomes de lugares possuem. As notícias sobre esse importante estudo cultural foram publicadas no site oficial do IBGE e em sites relacionados com o assunto. De acordo com os pesquisadores, sabe-se que o nome de municípios, praça, relevo, rio, dentre outros, são patrimônios culturais e devem ser mantidos. Esses nomes são nada mais nada menos que “fósseis linguísticos” que remontam a história da região.

“O nome geográfico tem o poder de transformar o lugar em um espaço vivido, algo marcado por emoções, história e coisas a serem contadas por diversas gerações. Quem dá o nome a esses lugares está envolvido com sua história e cultura do lugar. Ao nomear uma região, estamos englobando diversos fatos daquele local e dando um significado para esse nome, é por isso que nunca devemos jamais descartar um nome geográfico”, diz a pesquisadora responsável pelo estudo, Ana Cristina Resende, Coordenadora de Cartografia do IBGE.

Tomando como exemplo a cidade de Paraty, o argumento que determinou que o nome mantivesse o “Y” foi a origem indígena deste nome. “Foi constatado que podem ser percebidas diferentes tonalidades na pronúncia do “i” na língua indígena. São significados diferentes. No caso do “y”, é a letra que mais se aproxima da tonalidade do “i” que os índios da região utilizavam para designar o território. É o mesmo que dizer paratii, que na linguagem indígena da região significa água que corre. Neste caso, o linguista responsável por dar o nome de Paraty na época achou melhor utilizar o “y” para representar com fidelidade a pronúncia do nome original herdado dos indígenas”, explica a especialista no assunto, Marcia de Almeida Mathias, Coordenadora de Cartografia do IBGE já aposentada.

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