Cortes orçamentários recentes afetam o futuro de pesquisas científicas no Brasil

O Brasil é um dos países entre muitos que fazem expedições científicas na Antártida. Segundo a agenda de expedições 2019/2020 da 38ª Operação Antártica, também conhecida como Operantar XXXVI, o país deverá seguir com as expedições de pesquisa que já vem ocorrendo desde 1982. Mas, devido aos recentes cortes de gastos realizado pelo governo brasileiro, o futuro das expedições está ameaçado e o cumprimeto desta agenda pode não correr no verão austral durante este período.

As notícias sobre este possível descumprimento da agenda de pesquisa na Antártida foram divulgadas em outubro de 2019 após os cortes orçamentários determinados pelo atual governo federal. Não só o futuro das pesquisas no continente gelado, mas também outras pesquisas e estudos científicos realizados no país são afetados com o contingenciamento orçamentário determinado atualmente.

Diversos pesquisadores e estudantes detentores de bolsa de estudo deixarão de estar presentes na Operantar XXXVI, onde nesta 38ª edição seria inaugurada novas instalações junto a EACF (Estação Antártica Comandante Ferraz), que o Brasil tem de mais moderno em termos de instalação no continente gelado. Os projetos e pesquisas podem ser paralisados e a nova estação e instalações devem ficar sem atividades até que a verba, estudantes e pesquisadores possam retornar conforme o programado.

A Antártida é um dos lugares mais afastados e de difícil acesso em todo o mundo. Uma área extremamente grande com mais de 14 milhões de quilômetros quadrados de gelo. Esse território todo é equivalente a 50% a mais o tamanho do Brasil. A Antártida apresenta temperaturas extremamente baixas e relevantes para a proliferação de vida adaptada a este tipo de ambiente, chegando a registrar temperaturas abaixo de 89ºC e ventos que atingem mais de 300 km/h.

Por isso as verbas destinadas a investimentos em infraestrutura voltado para as pesquisas científicas realizadas na Antártida são fundamentais. Seria impossível tentar prosseguir com pesquisas neste território sem recursos como acontece em outras pesquisas no Brasil.

As pesquisas na Antártida são importantes para observar e desenvolver medicamentos e substâncias bioativas com base na vida biológica e condições extremas de sobrevivência neste território. “Por mais de uma década de pesquisa o grupo formado por estudantes e profissionais já descobriram diversas espécies de vida na região capaz de fornecer substâncias antimicrobianas, antivirais e tripanossomicidas. Duas das substâncias descobertas são utilizadas no combate a dengue e doença de Chagas. Também são feitas descobertas importantes em outras áreas como na agricultura e na indústria de alimentos”, diz um dos membros da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), Luiz Henrique Rosa.

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